Brasileiro
é premiado em desafio internacional pela Google
O desejo de transformar algumas horas
de folga num projeto útil acaba de render a um brasileiro radicado nos Estados
Unidos um prêmio internacional. Com o projeto Enchente.org, o engenheiro
eletricista Jonathan Kraemer, 27 anos, foi um dos vencedores do Google Places
API Developer Challenge, um concurso mundial de aplicativos baseados em mapas.
Ele foi um entre 87 concorrentes de 27 países.
Depois de acompanhar o sobe e desce
do nível do rio Itajaí-Açu em sua cidade natal, Blumenau (SC), o engenheiro
desenvolveu um aplicativo que se conecta diretamente à base de dados da
prefeitura e consegue calcular rotas seguras para os motoristas se deslocarem
em períodos de enchente.
Fiz tudo sozinho em um mês,
aprendendo a usar a plataforma e programando. Agora a coisa ficou séria
Jonathan Kraemer
O problema assola a região do Vale do
Itajaí com frequência. "A cada um ano e meio, em média, registramos uma
elevação do rio de até oito metros", esclarece o secretário municipal de
Defesa do Cidadão, Marcelo Schrubbe. Em Blumenau, esse nível significa que o
rio deixou sua calha. Aos 10 metros a situação se torna crítica e ruas centrais
da cidade começam a ser alagadas. Em 1984 uma enchente de 15,2 metros parou a
região.
"Em 2008 e 2011 tivemos
enchentes. Nessa época eu ainda morava em Blumenau e acompanhava pelo site da
prefeitura a listagem das ruas alagadas, mas sempre achei que faltava uma opção
mais dinâmica", recorda Kraemer. A Defesa Civil de Blumenau conhece bem o
problema e tem dados detalhados sobre o nível do rio e as ruas que são atingidas
a cada alteração da altura da água. O software se conecta em tempo real a essa
base de dados e oferece informação atualizada sobre a situação de tráfego e as
ruas interditadas.
O programa permite, ainda, que o
usuário identifique o abrigo público mais perto, onde pode se instalar caso sua
casa tenha sido atingida pela água. Também é possível ver o status do local e
saber se já está ativado e pronto para prestar socorro em caso de emergência.
Caminhos seguros
O aplicativo localiza o usuário
automaticamente no mapa e permite calcular rotas entre dois pontos da cidade
levando em conta o nível do rio. Também é possível alterar a informação sobre o
volume de água e, dessa forma descobrir se ainda será possível chegar a
determinado local da cidade, em caso de piora da situação. Por enquanto, a
aplicação baseada na web pode ser acessada por computadores e tablets, mas
Kraemer já planeja versões para smartphones.
O plano prevê novas funções para o
sistema, com uma base de dados colaborativa. "Em uma situação de enchente,
o nível da água é apenas um dos fatores", pondera Kraemer. Por isso, ele
quer desenvolver uma plataforma na qual os próprios moradores possam incluir
informações como desbarrancamentos ou obstáculos nas estradas. Além disso, os
cidadãos poderiam incluir outros dados úteis, como pontos de entrega de
donativos. Para o secretário Marcelo Schrubbe, a iniciativa tem méritos.
"Toda ferramenta que leva informações corretas e que auxilia a população
em situações de enchente é importantíssima."
No mundo dos negócios
O Enchentes.org foi escolhido pelo
júri técnico da empresa Google, e Jonathan Kraemer vai receber prêmios. Além de
um tablet e dinheiro, ele foi convidado para participar da conferência Google
IO (Input – Output), evento no qual a gigante da internet anuncia suas
inovações. Kraemer irá também se encontrar com um executivo da empresa e pode
ter a chance de apresentar o projeto para desenvolvedores de todo o mundo.
"Fiz tudo sozinho em um mês,
aprendendo a usar a plataforma e programando. Agora a coisa ficou séria",
comenta. Desde o anúncio do prêmio, ele passou a ser contatado por pessoas do
mundo todo com sugestões de aperfeiçoamento para o software ou mesmo propostas
para vender o produto.
Mas, por enquanto, o brasileiro não
pensa no Enchentes.org como um negócio. "É um trabalho voluntário",
enfatiza. No entanto, como trabalha em tempo integral em Cary, no estado da
Carolina do Norte, ele não descarta a possibilidade buscar parceiros para
continuar o projeto. "Talvez coloque em alguma plataforma aberta para que
possa ser desenvolvido de forma colaborativa", sugere.




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