RSA confirma que confiou na NSA para
adotar fórmula 'envenenada'
Companhia não comentou sobre contrato
de US$ 10 milhões.
Algoritmo usado no Bsafe possui 'falha intencional'.
A companhia de segurança RSA,
pertencente à empresa de armazenamento de dados EMC, publicou neste domingo
(22) um comunicado sobre a recente acusação publicada pela agência Reuters de
que a empresa teria
recebido US$ 10 milhões da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos para enfraquecer
a segurança de um de seus produtos. O comunicado confirma que a empresa trabalha
com a NSA e que confiava na agência, mas nega que tenha "enfraquecido
intencionalmente" a segurança dos produtos.
A informação publicada pela Reuters
tem como base documentos vazados por Edward Snowden, ex-prestador de serviços
da NSA. A quantia paga pela NSA, que
equivale a um terço da receita anual relacionada ao produto Bsafe, teria
influenciado a RSA a adotar uma fórmula com uma falha que permite ao governo
decifrar dados protegidos com o produto.
O problema está em um gerador de
números aleatórios chamado Dual EC. Computadores não podem gerar números
realmente aleatórios; em vez disso, fórmulas são usadas para geração de números
pseudoaleatórios. O gerador Dual EC foi aprovado pelo NIST, o órgão
norte-americano equivalente à ABNT, em 2006. Revelações do Edward Snowden mostraram que a NSA interferiu no
processo de padronização do Dual EC de modo a garantir que ele fosse
enfraquecido.
Em setembro de 2013, após as
revelações, o NIST divulgou um comunicado recomendando que a fórmula deixasse
de ser usada. A RSA encaminhou essa orientação aos clientes, recomendando que
ele não fosse mais usado na configuração do Bsafe.
Além de ser um padrão do NIST, o
Dual EC faz parte dos padrões de processamento de dados do governo
norte-americano (FIPS). Por isso, a fórmula existe também em produtos de outras
empresas e softwares de código aberto. O que diferencia a RSA dos demais é
adoção do algoritmo em 2004 na configuração padrão do Bsafe e a alegação de que
teria recebido dinheiro da NSA.
A decisão foi feita dois anos antes
de o Dual EC tornar-se um padrão adotado pelo NIST. No comunicado, a empresa
diz que adotou o Dual EC "em um contexto de esforço de toda a indústria
para a adoção de formas de criptografia mais novas e mais fortes",
complementando essa afirmação com a de que "na época, a NSA tinha um papel
de confiança nos esforços da comunidade para fortalecer, e não enfraquecer, a
criptografia".
Na prática, significa que a RSA
considerou a opinião da agência para a adoção da fórmula. A empresa, porém,
nega que em qualquer momento tenha tomado uma decisão para "enfraquecer
intencionalmente" a segurança de seus produtos. O comunicado não comentou
a existência de qualquer contrato ou pagamento relativo à decisão, embora tenha
dito que a relação da RSA com a NSA "nunca foi secreta", já que a NSA
é cliente da companhia.



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